O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) novamente marca presença na Expoagro Afubra para difundir novidades e tecnologias do setor orizícola para os agricultores. O tradicional Dia do Arroz aconteceu na quarta-feira, dia 26, mas a programação no estande e lavouras demonstrativas da entidade se estende durante todos os dias da feira. Entre os assuntos expostos nas estações, estão manejo de soja em áreas de várzea – potenciais e desafios; Plantas de cobertura e de pastoreio na entressafra do arroz; Sistema Arroz RS 14 – Resiliência e Sustentabilidade, e melhoramento genético – manejo de brusone. O dia especial dedicado ao setor também serviu o tradicional arroz de leite e um almoço com carreteiro e feijoada.
O engenheiro agrônomo Ricardo Tatsch, especialista orizícola e responsável pelo 5º Nate do Irga de Rio Pardo, explica que o este ano a proposta foi realizar um dia de campo não convencional, onde os produtores percorrem as estações experimentais por ordem cronológica. Nesta edição, os técnicos acompanham os produtores ou grupos ao longo de todo dia, garantindo um atendimento mais personalizado. “É muito importante esta troca com os produtores, estudantes e colegas agrônomos, inclusive de regiões não tradicionais no plantio de arroz”, conta. Outro diferencial do Dia do Arroz, na comparação com os demais dias de programação na feira, é a presença de coordenadores e pesquisadores do Irga, que esclarecem tudo o que há de mais moderno em termos de manejo para a cadeia produtiva.
O arrozeiro Miguel Spall, de 62 anos, cultiva arroz há mais de quatro décadas em sua propriedade em Rincão Del Rey, no interior de Rio Pardo/RS. Todos os anos, ele faz questão de dar uma pausa nas atividades da lavoura para acompanhar o Dia do Arroz. “A gente sempre aprende algo diferente e conhece alguma novidade para levar para a propriedade, como novas variedades que podem ajudar no manejo e na produtividade”, conta. Além de visitar o espaço do Irga, o agricultor faz questão de visitar o restante da Expoagro Afubra em busca de inovações e tecnologias. Da área de 150 hectares, utiliza 60 hectares para a produção de arroz, além de cultivar cana-de-açúcar e pastagens como alimento para a criação de gado.
Entre as novidades que os arrozeiros têm à disposição atualmente está o Sistema Resiliência e Sustentabilidade 14 (Sistema RS 14). O engenheiro agrônomo Ênio Coelho, coordenador regional do Irga da Região Central, destaca que a premissa é a colheita em solo seco, que possibilita que o agricultor opte por coberturas de inverno, como azevém e trigo. Esses plantios permitem que o solo não fique desnudo no inverno, perdendo nutrientes por arraste ou lixiviação. “Quando essas plantas finalizem o ciclo, devolvem nutrientes que irão contribuir com a produtividade do arroz”, explica. O produtor ainda pode optar pela associação com pecuária ou ainda realizar a colheita da pastagem, garantindo rendimento na entressafra.
Melhoramento genético e manejo de brusone
Conforme a engenheira agrônoma Danielle Almeida, pesquisadora do Irga, o melhoramento genético é um dos pilares em busca de produtividade, qualidade de grãos e resistência ao Brusone, que hoje é uma das principais doenças da lavoura arrozeira. Nesse sentido, foram apresentadas aos produtores cultivares que vão ao encontro dessas necessidades, a começar pelo IRGA 424, que já está presente em mais de 50% das lavouras gaúchas. Uma das novidades é a 426 CL, que nesta safra teve disponibilidade de semente para o produtor pela primeira vez. “Trata-se de cultivar de ciclo médio que apresenta alto potencial produtivo e tem como ponto forte a qualidade de grãos, que tem sido muito valorizada pela indústria”, conta.
Já a cultivar Irga 432 foi a última tecnologia lançada pela instituição, destinada para o sistema convencional. É resistente ao brusone, tem alto potencial e qualidade de grãos, além ser precoce, sendo uma boa opção em áreas com restrição de período de irrigação. Durante as explanações, foi evidenciado aos visitantes todo o trabalho do Irga em relação à resistência genética, que possibilita que o produtor use menos insumos para controle de doenças e tenha menor risco de perdas. Segundo o engenheiro agrônomo Marcelo Gravina, consultor técnico do Irga, o futuro do melhoramento genético visa a resistência ao brusone, especialmente se for utilizado junto com outras técnicas de manejo adequados, como rotação de culturas, uso de sementes corretas e observação de práticas de manejo da água na propriedade.
Potenciais e desafios do manejo de soja em áreas de várzea
A estação sobre o manejo de soja em áreas de várzea foi estruturada dentro da ideia de diversificação de sistemas de produção em terras baixas. O monocultivo do arroz ainda é tradicional nessas áreas, o que ao longo do tempo tem muita probabilidade de gerar dificuldades no controle de plantas daninhas, aumento do custo de produção e menor produtividade. “É de fundamental importância a adoção da diversificação, que consiste em inserir a cultura de arroz em sistemas de rotação e sucessão para culturas de sequeiro, se possível interligado com sistemas de produção agropecuária”, explica o engenheiro agrônomo Darci Francisco Uhry Junior, pesquisador da seção de fitotecnia da Estação Experimental de Arroz de Cachoeirinha.
Dentro dessas culturas, o especialista destaca que a principal alternativa é a soja, que normalmente é cultivada em ambientes diferentes – já que nas áreas de arroz há bastante oscilação de umidade. Para evitar danos ao grão com excesso hídrico, a prioridade de manejo é o sistema de drenagem bem dimensionado, práticas de descompactação do solo, quando necessário, e a semeadura direta – práticas que contribuem porque aumentam a capacidade de infiltração de água no solo. Além disso, lembra que há mais de 10 anos o Irga tem testado cultivares comerciais de soja mais tolerantes ao estresse hídrico. Já para driblar a deficiência de água do cultivo de soja, Uhry destaca que o agricultor pode adotar as mesmas práticas do excesso e integrar a irrigação.
“Experimentos conduzidos pelo Irga mostram que a irrigação é fundamental para obtenção de altas produtividades”, explica. O agrônomo destaca que em terras baixas já existe estrutura para a irrigação do arroz, que também pode ser usada na sojicultura se houver disponibilidade de água como forma de melhorar a estabilidade e a produtividade ao longo das safras. “Além dos testes de cultivares em relação à tolerância ao excesso hídrico, o Irga também realiza avaliações desses materiais em condições de alto manejo para serem utilizadas nas áreas mais tecnificadas, buscando maiores produtividades.”
(C/Michelle Treichel. Foto: Bruno Pedry)